Home M DE MÚSICA Scott Matthew: “Na verdade, sou um optimista”.

Scott Matthew: “Na verdade, sou um optimista”.

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De voz profunda e sorriso fácil, Scott Matthew pode ter traçado o seu caminho guiado por canções melancólicas mas assume-se, sem hesitações, como um verdadeiro optimista.

 

Define-se como um “discreto criador de ruído, fascinado por baladas”. Parece uma imensa contradição mas, na verdade, olhando e conversando com Scott Matthew, tudo faz sentido. É este o homem cuja personalidade foi criada ao mesmo tempo que escutava a revolta expressa nas canções dos Cramps mas também na voz de Robert Smith, dos Cure, ou de Morrissey, dos Smiths. O pai tentou ensinar-lhe a tocar guitarra – aprendeu poucos acordes mas foram os suficientes para começar a escrever as suas próprias canções. Deixou-se emocionar por divas do jazz como Billie Holiday ou Ella Fitzgerald mas, quando chegou o momento de assinar em nome próprio, a sua inspiração levou-o para outros terrenos. O drama repleto de sofridas personagens cheias de cores e camadas apresentadas em Shortbus, o filme de John Cameron Mitchell, de 2006, foi o veículo perfeito para que este australiano – então, quase há uma década a viver em Nova Iorque e na vertigem de mandar a toalha ao chão – se revelasse, finalmente, ao mundo. Ao longo de cinco álbuns, debruçou-se sobre os mais negros lados da existência humana, sobre a desilusão das perdas e o sofrimento do (des)amor. Até que, em 2015, quando editou This Here Defeat, percebeu que este era um percurso que não queria voltar a fazer. É assim que surge Ode To Others, um disco que define como mais leve e, até, alegre mas também um registo onde as canções surgem mais preenchidas, mais produzidas e corpulentas, reflexo da experiência levada a cabo com Rodrigo Leão, em Life Is Long, de 2016. No seu sexto álbum, Scott Matthew parece feliz – ele, pelo menos, diz que, por mais que duvide da sua capacidade criativa, este é um disco que o faz sorrir.

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