Home M DE MÚSICA Salto: “Não íamos voltar a fazer igual”.

Salto: “Não íamos voltar a fazer igual”.

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A cada álbum, uma nova abordagem e também um novo espírito. É esta a vontade dos Salto: fazer sempre diferente. O desconforto pode ser um lugar feliz.

Hoje, pode parecer inacreditável mas a verdade é que, em criança, Luís e Gui não eram os melhores amigos do mundo. Segundo Gui, no meio de 27 primos direitos, o Luís era um elemento estranho, por ter vindo de fora do país – mas pouco passavam dos 12 anos quando já se sentavam juntos, de guitarra em riste, a replicarem as canções de outros e a fazerem as suas próprias primeiras aventuras. Crescendo no Porto, iam partilhando as suas canções com nomes como Ed Rocha Gonçalves, então nos Genius Lokie (agora nos Best Youth) e com Miguel Araújo, então n’Os Azeitonas. E é precisamente com Os Azeitonas que os Salto sobem ao seu primeiro grande palco: aliás, é por causa desse concerto de encerramento da digressão 2007 da banda de “Anda Comigo Ver os Aviões” que Salto, a dupla, se estreia. Luís e Guilherme era demasiado nome de dupla sertaneja…

Haviam de seguir-se muitas outras “primeiras partes”, dos Capitão Fausto aos Cansei de Ser Sexy ou GNR; também havia de seguir-se a estreia em disco, em 2010, quando “Por Ti Demais” é incluído na compilação Novos Talentos Fnac. Para o debute em nome próprio, em 2012, trabalham com New Max, mas rapidamente Luís e Gui compreendem que, para levarem o homónimo aos palcos, precisavam de ser mais – quatro anos depois, quando apresentam Passeio das Virtudes, os Salto tinham-se multiplicado, com a entrada de Tito e Filipe. Dois anos depois da edição do álbum #2, os Salto apresentaram Férias em Família, o primeiro disco feito “à distância”, repartido entre a Maia e Lisboa, e também aquele que traz a banda a assumir a produção de um pergaminho seu. Como sempre, como dantes, sabiam que não queriam voltar a fazer igual ao que estava cravado no passado – por isso, estas “férias” contemplativas trazem uma abordagem onírica, marcada por uma decisão consciente de se deixarem comandar pelas canções. Não é que os Salto procurem o desconforto mas é quando se encontram mergulhados em novos territórios que descobrem mais sobre si próprios. Férias em Família é uma espécie de conclusão para a história que tem sido desenhada até agora e não há grandes certezas em relação ao que estará reservado para o futuro – a não ser uma: a de que nada será igual. Salto é de quem ouvir mas também é de quem viver.

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