Home M DE MÚSICA Joana Espadinha: “O que mais me fascina na música é o que faz uma canção ficar no ouvido”.

Joana Espadinha: “O que mais me fascina na música é o que faz uma canção ficar no ouvido”.

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O que torna uma canção universal? É essa questão que Joana Espadinha procura responder na sua obra.

Foi na (aparente) simplicidade que Joana Espadinha descobriu o seu novo rumo. Depois de se ter estreado em álbum com Avesso, de 2014, O Material Tem Sempre Razão aposta num trajecto completamente distinto do registo de debute. Onde Avesso era complexo, com canções cheias de blocos distintos, quase como se se tratasse de música para um filme, O Material Tem Sempre Razão foi trabalhado a partir do mais puro esqueleto de uma canção: se resultasse, apenas, à voz e ao piano, ia resultar sempre. Foi essa uma das marcas indeléveis deixadas pelo produtor Benjamim – mas não só.

Joana cresceu com o Alentejo à flor da pele mas foi em Lisboa, e no Hot Clube, que se descobriu, verdadeiramente, cantora. Porém, a música só se torna o centro da sua vida quando, por instinto, opta por fazer uma licenciatura em jazz, em Amesterdão, ao invés de concluir o estágio do seu curso de Direito. É na Holanda que aprofunda, também, a sua veia de compositora – por isso, quando regressa a casa, Avesso chega aos escaparates. Estava-se em 2014 e esse primeiro disco brota em português e em inglês, é jazz mas também é pop, é um filho há muito aguardado mas também é, claramente, apenas um começo. Quando chega a altura de regressar aos longa-duração, aborda Benjamim – e o produtor lança-lhe um desafio: só produziria o álbum se fosse inteiramente em português. Joana volta para casa, deita um disco inteiro para o lixo e compõe um novo capítulo: e, assim, surge O Material Tem Sempre Razão, um documento cuja personalidade brota de forma espontânea quando “Leva-me A Dançar” ganha vida própria. É a primeira manifestação da grande procura de Joana: o que é que torna uma canção universal? O que é que consegue intrigar alguém mas, ao mesmo tempo, colar-se à sua pele? Na canção, ela quer ser levada a dançar mas, nas suas canções, é ela quem (nos) leva a cantar. Essa é a suprema confirmação da magnitude da música e, em O Material Tem Sempre Razão, é prova (mais do que) superada.

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