Home M DE MÚSICA Sequin: “Quero explorar mais”.

Sequin: “Quero explorar mais”.

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É música feita para dançar mas também para sentir. São canções que representam vivências mas também são momentos de catarse. Sequin é assim mas Ana Miró é ainda mais.

 

Não é surpreendente que, no final da conversa com o M de Música, Ana Miró afirme que quer fazer mais, experimentar mais, explorar mais do que aquilo que tem vindo a fazer, desde 2012, com o projecto Sequin. A Ana – que não nasceu Miró mas a quem um professor de teatro alcunha com o nome do pintor espanhol – sempre teve em si muitas personalidades distintas.

Resignou-se a aprender a tocar piano quando os pais não cederam ao seu pedido por um violino e foi ao piano que, na verdade, tudo isto começou. Ao piano e com a voz, que sempre entoou, em casa e na escola. A vontade de subir ao palco encaminha-a também aos Estudos Teatrais mas as bandas estavam “lá”, de colectivos imberbes versados em bossa nova a aventuras mais a sério, como The Ballis Band. A mudança para Lisboa e um novo curso pareciam ter deixado a música num segundo plano mas as experiências com o projecto Jibóia, de Óscar Silva, mostram-lhe, não só a panóplia de possibilidades criativas contidas num sintetizador como a liberdade passível de ser retirada de um plano a solo. Sem expectativas, numas férias de Natal, fecha-se no sótão de casa dos pais, em Évora, e começa a compor. “Beijing”, a primeira obra da sua nova persona, é revelada, por um amigo em comum, a Moullinex – e o resto, como se costuma dizer, é história. Penelope, com produção daquela metade da Discotexas, é editado em 2014, o mesmo ano em que Sequin é citada pela francesa Les Inrockuptibles, e, quatro anos depois, surge Born Backwards, produzido pela outra metade da editora portuguesa, Xinobi. Apaixonada pela Sétima Arte, as canções de Sequin são pequenas narrações cinematográficas da vida de Ana. Cativada pela poesia, as canções de Sequin são pequenos capítulos da sua existência, transformados em poema musicado. Tudo imerso numa electrónica feita no sintetizador mas que nunca deixou de se cativar pelo lado orgânico da guitarra. Sequin é Ana Miró mas Ana Miró tem em si muito mais do que Sequin. São muitos os caminhos que vislumbra da sua janela: este é, apenas, um deles.

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