Home M DE MÚSICA Valete: “O poeta é vulnerável”.

Valete: “O poeta é vulnerável”.

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O seu objectivo é fazer um rap mais consciente mas também progressista, do tipo que faça as pessoas pensar e debater. O sonho de se tornar jornalista desportivo ficou para trás mas as suas crónicas são verdadeiras reportagens da sociedade que o rodeia.

 

Não se pense, porém, que há por aqui o olhar da intervenção: a alma que Valete deposita nas suas canções são as suas inquietações, interiores e exteriores. O seu alter ego foi escolhido na adolescência mas assenta-lhe de tal forma que, hoje, apenas a mãe carrega o legado do seu nome de baptismo, Keidje. Filho de são tomenses, chegou a viver num T2, com outras duas famílias, para evitar a entrada nos bairros degradados onde tantos emigrantes africanos se aglomeravam. Primeiro, descobriu que um negro podia ser rei, quando Michael Jackson lhe foi apresentado, depois descobriu que, do outro lado do Atlântico, figuras como Public Enemy ou Run DMC narravam as mesmas histórias que ele vivia. O hip hop surge, assim, como uma espécie de terra de fascínio, até que descobre que sabe rimar: afirma que aconteceu tudo de forma muito rápida, das primeiras mixtapes à edição do álbum de estreia, Educação Visual, em 2002. Mas, depois de Serviço Público, em 2006, o pé pareceu debater-se no travão. Chegou a ponderar deixar o hip hop mas o carinho das pessoas faz com que compreendesse que ainda tem muito para dar: em 2017, regressa em força, de uma assentada, com dois singles. Estudou, viajou e aprendeu, muito – sobre a vida e sobre a música. Nunca se sentiu tão confiante como no presente para se tornar o MC que sempre sonhou ser. Talvez seja essa a razão pela qual chamou a um dos seus inéditos “Rap Consciente”. É isso que ele quer fazer. Isso e tornar-se presidente da Junta de Freguesia da Damaia – porque a metamorfose entre rapper e poeta ele já a fez. Há muito tempo.

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