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Nine Inch Nails @ Kings Theater from M de Música on Vimeo.

Exclusivo: Nine Inch Nails @ Kings Theatre, Brooklyn, NY

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Bela máquina de amor

Há concertos e há momentos imponentes. Numa luxuosa sala, o mais luxuoso dos espectáculos.

 

Para que um concerto dos Nine Inch Nails se torne memorável não é preciso fogo de artifício. Aliás, se há coisa que, há muito, Trent Reznor deixou claro é que, quando se trata de interpretar as suas canções e a sua imaginação, menos é mais. Por isso, foram parcas as palavras – mesmo que, pelo meio de um espectáculo de perto de hora e meia, tenha havido alguns elogios ao público – e constantes os jogos de luz que mais deixavam na penumbra os cinco músicos do que exacerbavam as suas figuras. Para que um concerto dos Nine Inch Nails se torne memorável bastam apenas as canções.

E elas estiveram lá – todas. Da viagem incrível a Pretty Hate Machine (que se apressa a celebrar três décadas de vida mas que se tratou do álbum mais visitado, depois de The Downward Spiral) até ao mais recente Bad Witch. Houve direito a tudo: à primeira interpretação, na Cold and Black and Infinite North American Tour, de “Something I Can Never Have” a “Terrible Lie” ou “Sanctified” (havia, ainda, de regressar-se ao registo de estreia, na explosão final que começou com “Wish” e terminou com “Head Like A Hole”); depois de terem passado mais de 20 anos sem a representarem em palco, “A Perfect Drug” foi outro dos momentos altos do concerto, assim como “I Do Not Want This”, que também não tinha recebido, ainda, visita, nesta digressão. Aliás, essa é outra das constantes do presente périplo pelos palcos de Reznor & cia – não adianta pesquisar os alinhamentos de noites passadas porque, aqui, cada serão é único.

A preto e branco na imagem mas recheado de cor, os Nine Inch Nails esgotaram, em duas noites consecutivas, o Kings Theatre, em Brooklyn, uma sala luxuosa, com recente remodelação, a inspirar uma espécie de viagem no tempo, a um tempo onde tudo se fazia em tons de dourado e cerimónia. Mas as noites dos Nine Inch Nails, perante as 3 mil pessoas que fazem a capacidade da sala, que retomou actividade em 2010, não foram feitas de cerimónia: a páginas tantas, Reznor anunciava uma “sad song” mas tristes não são as suas canções. São recheadas dos tons negros que caracterizam as distorções humanas, dos brilhos alcançados pela redenção, dos sombreados que marcam as lutas e as vitórias de quem não vira as costas à vida – ou à música. Por isso, como habitualmente, coube a “Hurt” a responsabilidade de finalizar o serão, num encore que ficou, ainda, marcado pela visita ao espólio de Gary Numan, com “Metal”. Porque é assim que se fazem concertos memoráveis. Em 1989, os Nine Inch Nails estrearam-se com o álbum Pretty Hate Machine – quase 30 anos depois, esta é uma bela máquina de amor. Aquele tipo de amor que, por mais tortuoso, torturado e torturante que seja faz, apenas, sorrir.

A responsabilidade de abrir a noite coube aos Jesus & Mary Chain, máquina de rock em pleno vigor, com um desfile de hinos incontornáveis como “Just Like Honey”, “Some Candy Talking” ou “I Hate Rock’n’Roll”, que revelaram uns seguros, confiantes (e quase bem-dispostos) irmãos Reid.

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