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The Legendary Tigerman @ Le Point Ephémère, Paris

The Legendary Tigerman @ Le Point Ephémère, Paris

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O M de Música assistiu, em exclusivo, ao concerto parisiense de apresentação de Misfit, o sexto álbum de The Legendary Tigerman.

 

Por estes dias, Portugal é motivo de orgulho para toda a Europa. O Portugal dos “pequeninos”, o país que só gosta de sol e álcool, afinal, não pariu apenas Cristiano Ronaldo. A ponto de ter um ministro que é apelidado de Ronaldo das Finanças: se é isso Mário Centeno, então, que não restem dúvidas – The Legendary Tigerman é o Ronaldo do rock’n’roll. Que o diga Paris e o Le Point Ephémère, um clube nas margens do Sena. O rio não transbordou mas o Le Point Ephémère esgotou para assistir à apresentação de Misfit. Diga-se de passagem, com ilustres na plateia (como Jenny Beth, das Savages).

É quase de forma dissimulada que tudo começa, com um “Wild Beast” longo e misto de sussurro com explosão, numa viagem que arranca em True, é certo, mas que revela mais de metade de Misfit, o disco gravado a três mãos por Paulo Furtado, João Cabrita e Paulo Segadães no Rancho de la Luna (em palco, ao trio junta-se, ainda, Filipe Rocha). Podem ser sete momentos “desconhecidos”, dos singles “Motorcycle Boy” ou “Fix of Rock’n’Roll” passando por “Saddest Girl on Earth” ou “Black Hole” (que o autor vai anunciando como sendo a sua “canção preferida”) mas a viagem faz-se de forma serena, como se todas fossem irmãs do mesmo pai e da mesma mãe. E são-no, de facto. São sem tempo mas com espaço, espaço para crescerem, para se tornarem – em concerto – ainda maiores do que são em disco. Porque surgem infectadas pelo mesmo espírito inadaptado que fez Furtado chamar Misfit ao seu sexto registo enquanto The Legendary Tigerman. O rock é isso mesmo: sem regras, sem barreiras, sem idioma mas com muito corpo. Este rock faz-se com alma e energia, com palavras ditas ao ouvido mas também com gritos de liberdade. Quando se entoa “you gotta hold me through this darkness”, a mão estende-se para que a jornada não seja feita a sós. Quando se afirma “this boots are made for walking”, todos caminham em uníssono. E se estes são “Naked Blues”, todos os artifícios são, efectivamente, supérfluos. O que aqui, realmente, importa é o rock, que não precisa de cura porque, nestas mãos, não padece de qualquer maleita. É lascivo, voluptuoso e libertino. É lição de história, inspiração e veneração a um género que não morre nunca. No final, como habitualmente, “Twenty First Century Rock’n’Roll” anunciou Paris a arder – e ardeu, de facto.

Assistir a um concerto de The Legendary Tigerman não é muito diferente de ver Cristiano Ronaldo a jogar. É o que se sente quando se encontra um misto de génio com criatividade. Por muitos golos que sejam marcados, a admiração continua a ser a mesma. Não têm bilhete para a digressão que Paulo Furtado vai fazer por Portugal para mostrar Misfit? Não sabem o que estão a perder.

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