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NOS Primavera Sound: crónica de uma vitória (no feminino)

NOS Primavera Sound: crónica de uma vitória (no feminino)
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Em 2020, o NOS Primavera Sound regressa ao Parque da Cidade, no Porto, entre 11 e 13 de Junho

Era anunciado – e reconhecido – como o cartaz mais eclético e variado da história do NOS Primavera Sound e muitas foram as vozes que estranharam (e vociferaram) a presença de figuras como J Balvin. A julgar pela repleta encosta que recebeu o colombiano no Palco NOS, no dia 7 de Junho, o público do festival, claramente, não chegou com preconceitos.

Na verdade, o que passou pela oitava edição portuguesa do festival que nasceu em Barcelona foi uma viagem a ritmos tradicionais, olhados com a perspectiva do século XXI – e isso é tão válido na obra de Branko quanto na de J Balvin ou na de (uma das vencedoras do festival) Rosalía. Ainda que, claro, todos o façam de forma muito diferente.

Ao lado da estreia em Portugal de nomes como Guided By Voices ou da reverência a obras incontornáveis como a de Jorge Ben Jor, o NOS Primavera Sound foi, de facto, eclético e variado: e ainda bem. Foi por isso que se pôde receber – pela primeira vez – a soul íntima e o r&b profundo de Solange mas também o rock dos Stereolab e abordagem sombria dos Interpol, que se pôde dançar com Neneh Cherry ou esquecer o atraso de Erykah Badu (pela magistral lição de como ter uma grande banda, dar uma lição de música e mostrar que a soul é uma língua viva em constante evolução).

Como continua a evoluir James Blake, porventura, um dos momentos mais altos dos três dias de concertos no Parque da Cidade. A sua electrónica marcada a emoção e o seu romantismo digital pareciam fadados a tornar-se “o” espectáculo do NOS Primavera Sound 2019. Até que veio Rosalía – a menina de quem toda a gente fala e com quem toda a gente parece querer trabalhar. Mais tradicional em palco do que em disco, sempre acompanhada pelo parceiro de El Mal Querer, El Guincho, a catalã mostrou que sabe (exactamente) qual a verdadeira raiz do flamenco mas também que o flamenco (lá está) é um linguagem em mutação, capaz de abraçar ritmos electrónicos, de dançar com espírito de clube e de encher um palco com lições, claras, aprendidas com divas como Beyoncé ou Rihanna. Tudo elogios.

Numa época em que tanto se fala da ausência de mulheres, da forma como as mulheres são tantas vezes relegadas para segundo plano, o NOS Primavera Sound provou que pode ser diferente. Ah, e que ser eclético e variado – quando se oferecem quatro palcos onde o público pode escolher o quer ver e o que quer passar ao lado – não é uma má notícia. Pode ser que as mentes, finalmente, compreendam que a música não é um lugar estéril e é a sua constante capacidade de fazer diferente a sua mais tremenda magia. Triste o dia em que perdermos a vontade e o anseio de sermos surpreendidos.

Ao longo dos três dias de NOS Primavera Sound, passaram cerca de 75 mil pessoas pelo Parque da Cidade, no Porto, ao qual o festival regressará, em 2020, entre os dias 11 e 13 de Junho. Os Pavement anunciaram o seu regresso para o próximo ano e já estão confirmados na 9ª edição do NOS Primavera Sound.

Foto: Hugo Lima/NPS

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