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Bloc Party – Eis-nos chegados a Hymns

Bloc Party – Eis-nos chegados a Hymns 3.0
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Crítica

Numa década, muito mudou nos Bloc Party

Numa década, muito mudou nos Bloc Party, desde que se deram a conhecer coma dançável fúria rock, com o pé no acelerador e o olhar nas pistas, de SilentAlarm.

Avancem-se 10 anos e outros três álbuns, mais experiências a solo do líder Kele Okereke, uma longa pausa (Four traz o carimbo de 2012), a saída de dois elementos… E eis-nos chegados a Hymns – que, como o nome indica, se retira da euforia indie e aposta numa contemplação nem sempre bem-sucedida. A verdade é que Hymns é um disco construído em lume brando: midtempo, tranquilo, sereno. Ainda que não seja uma expressão religiosa, debate a necessidade de uma espiritualidade e um significado “superior” como opção ao frenesim da vida moderna. “It’s ok, you just need faith, been looking for answers in the wrong places”, em “The Good News”, veste-se de guitarra simples, quase gospel, – nunca os Bloc Party estiveram tão longe do rock e tão próximo da soul. Mas, no final, parece que acaba sempre por faltar alguma coisa… Mesmo que surjam pequenos raios de esperança – como na viagem atmosférica de “Fortress” ou no baixo corpulento e guitarra paranóica de “New Blood” –, a sensação que fica é a de uma viagem feita em ponto morto. O melhor, no entanto, ficou para o final, com o sussurro de “Evening Song”, que sem grandes artefactos e em passos miudinhos, exala toda a ambição de Okereke: “for I have a message, in my voice”.

Ana Ventura Ana Teresa Ventura trabalhou na Blitz durante dez anos e hoje podemos vê-la tanto em festivais de verão cobertos pela SIC, como na sua rubrica, M de Música do programa Mais Mulher, na SIC Mulher.

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