Home Entrevista Luísa Sobral: “Prefiro ser imperfeita e mostrar essa imperfeição”.

Luísa Sobral: “Prefiro ser imperfeita e mostrar essa imperfeição”.

Luísa Sobral: “Prefiro ser imperfeita e mostrar essa imperfeição”.
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Aplaudida pela Les Inrockuptibles e autora multiplatinada, nunca se deixou deslumbrar pelo sucesso. Talvez seja pela mesma razão que a faz gostar da realidade que transparece da sua voz quando canta em reacção ao que está a ouvir. As suas palavras podem ser docemente melancólicas mas Luísa Sobral não teme que as suas canções revelem momentos imperfeitos.

 

Uma boa parte de Luísa, o álbum que editou em 2016, vem de inspirações alheias: a folk e os blues que se sentem nestas canções são reflexo da obra de Tom Waits ou Bob Dylan, o lado puro das suas interpretações surgem da paixão pelo registo que deu o Mercury Prize a Benjamin Clementine. Mas há muito mais Luísa Sobral em Luísa do que alguma vez se pressentiu nos seus discos – confessamente autobiográfico, a autora deu por si a escrever… sobre si. Na viagem, entre o português, o inglês e o francês, entre o imaginário americano e a influência de Paris, tornou-se mulher. Mesmo em frente aos nossos ouvidos. Luísa nunca foi tão Luísa. Ainda bem.

 

1ª paragem: o carro da família Sobral

 

Para chegar a Luísa, e a 2016, é preciso viajar no tempo, até 2003, e à primeira edição de Ídolos. Ou talvez seja mais sensato ir ainda mais atrás, até ao início do novo milénio, onde a pequena Luísa descobre a música e começa a escrever as primeiras canções. Esclareçam-se os factos: de certa forma, a família Sobral tem a música no seu código genético. O pai Sobral toca bateria e, nas viagens de família, colocava no rádio do carro os seus discos preferidos, dos Beatles ou dos Rolling Stones, mas também dos GNR. Foram essas as primeiras canções que Luísa cantou de cor – a Luísa que fez teatro mas que, com 13 anos, começou a compor. Por ter começado a ter “aulas de guitarra, nessa altura, comecei a aprender a tocar as canções das outras pessoas e senti logo necessidade de escrever as minhas”. No banco de trás do carro da família, porém, não cantava sozinha: ia fazendo vozes com o irmão Salvador (que, em 2016, editou o álbum de estreia, Excuse Me). “Como o meu irmão também é cantor, não sei bem dizer se isto é algo que veio nos nossos genes ou se é uma influência da maneira como fomos crescendo”, assume Luísa.

 

 

2ª paragem: Berklee College of Music

 

Com 16 anos, Luísa decide inscrever-se na primeira edição de um programa que viria a agitar a televisão portuguesa: em 2003, a SIC estreava o formato português de American Idol, baptizado Ídolos. “Acho que fui eu que me inscrevi. Cantei o “Cavaleiro Andante”, do Rui Veloso e do Carlos Tê, e cantei Shakira”, recorda. Não foi coroada vencedora mas foi ela quem, verdadeiramente, ganhou. Porém, para isso acontecer, o seu passaporte teve que receber um novo carimbo. “Sempre quis estudar fora e, nessa altura, sentia que queria conhecer outros sítios – é incrível como uma pessoa com 16 anos se pode sentir farta de um lugar! Queria explorar outros sítios, queria aprender a falar inglês melhor…” Decide, então, inscrever-se “num programa de intercâmbio: fui viver com uma família americana durante um ano, numa cidadezinha no estado de Nova Iorque, já perto do Canadá”. É aí que frequenta o 12º ano mas é também onde começa “a fazer muitas coisas de música. Nos Estados Unidos, os liceus têm muita coisa de música a acontecer: comecei a tocar percussão, tocava na banda de jazz… O meu professor, nessa altura, disse-me que se eu queria mesmo inscrever-me numa escola, a melhor, nos Estados Unidos, para jazz, era a Berklee”. Berklee College of Music, sediada em Boston, é considerada uma das mais conceituadas instituições musicais dos Estados Unidos e o lugar certo para quem, como Luísa, se deixou cativar pelos movimentos jazzy. “Fiquei super entusiasmada: inscrevi-me e mandei um CD de audição – e fiquei”.

A passagem pelos Estados Unidos, no entanto, não se quedou em Boston – ainda havia de viver em Nova Iorque, onde faz os seus primeiros concertos em bares. Mas seria com um EP, gravado com colegas da faculdade, que a sua vida, verdadeiramente, mudaria. Quando chega a Portugal para actuar no Super Bock em Stock – festival itinerante, pelas ruas do coração de Lisboa, que deu origem ao Vodafone Mexefest –, entrega o disco a Luís Montez, da Música no Coração, a promotora do evento. “Ele disse-me que ia estar com a directora da [editora] Universal [Portugal], “vou dar-lhe”…” A primeira resposta, porém, não é animadora: “Na altura, ele disse-me que ela lhe tinha dito que já tinham muitos artistas – só que isso foi antes de ter ouvido o disco. Mais tarde, ela contou-me que, quando pôs o disco no carro, gostou muito e acabámos por assinar contrato”.

 

3ª paragem: A cereja do bolo e o Jimmy Page dos Led Zeppelin

 

De forma auspiciosa, decide chamar The Cherry On My Cake ao seu álbum de estreia. O cenário é 2011 e o disco, que entra directamente para o #3 do top de nacional de vendas, chega à marca da platina e vale a Luísa Sobral duas nomeações para os Globos de Ouro. O sonho americano ficava, agora, para trás;: até porque a realidade portuguesa parecia mais saborosa – era a verdadeira cereja no topo do seu bolo. “Já nem me lembro porque é que o disco se chamava assim – mas sim, faz sentido. Voltei [para Portugal] e foi a cereja no topo do bolo: acho que ainda hoje posso pensar nessa altura como isso. Foi uma altura que mudou completamente a minha vida e que me fez estar onde estou hoje – e, se estou feliz hoje, também tem a ver com isso”.

O jornal espanhol El Mundo classifica-a como uma grande promessa, “com um sexto sentido para composições e uma voz privilegiada”. Já a revista francesa Les Inrockuptibles descreve o seu pop-jazzy como recheado de sentido de humor e delicadeza, na mesma senda de nomes como Regina Spektor, Feist ou Stacey Kent. O mundo de Luísa Sobral parecia, literalmente, de pernas para o ar – mas  sua tranquilidade mantinha-se imutável. Nessa altura, “era muito nova mas já vivia sozinha há muito tempo – se calhar, não tinha a idade que os miúdos têm nessa idade, a idade de cabeça. Como fui viver para fora muito cedo, e como fui viver sozinha muito cedo, também acabei por crescer mais rápido. Como é que se gere [tudo isto]? Não sei… Mas eu também fico muito deslumbrada – a minha família nunca me deixa ficar muito deslumbrada, trazem-me sempre para terra. Mais do que tudo, o que gosto é de música, não fico fascinada com coisas dessas. É sempre bom quando as pessoas gostam do nosso trabalho mas não é isso que me move, de todo: eu continuaria a fazer as mesmas coisas se não tivesse sido mencionada pelo El Mundo, por exemplo. Fico muito feliz mas não é isso que me move – por isso, não me afecta nem afecta a minha música ou a minha maneira de fazer as coisas”.

Em Novembro de 2012, no entanto, surge mais uma prova de fogo para Luísa Sobral: quando se torna a terceira portuguesa a ser convidada para actuar em Later… with Jools Holland, o programa transmitido pela BBC2, desde 1992, por onde todos os músicos querem passar. “Ai, fiquei tão feliz! Mas não fiquei deslumbrada – fiquei borradinha!”, assume, entre risos. “Tenho uma maneira de viver a minha carreira: sempre que aparece uma possibilidade, como essa, penso “ah, era bom, era bom se acontecesse”, assim mesmo. Já percebi que não posso pôr muita expectativa nas coisas – numa carreira na música, há muitas coisas que parece que vão acontecer e não acontecem… Se ficar muito entusiasmada e as coisas não acontecerem, vai ser sempre um yô-yô de emoções. A vida toda. Não ponho muita pressão nas coisas: quando surgiu o [convite do] Jools, havia essa possibilidade mas eu estava “sim, seria giro”, como se não fosse uma coisa muito importante”. A possibilidade, no entanto, torna-se real e Luísa surge no programa emitido a 13 de Novembro – num alinhamento onde surgiam, igualmente, Ellie Goulding ou Jimmy Page, o mítico guitarrista dos Led Zeppelin. “Fiquei super feliz porque o Jools era um programa – e é! – de referência para mim. Quando estava na Berklee, cada vez que alguém me mostrava um artista novo e de que eu gostava, punha o nome dele e aparecia “não sei quem no Jools Holland”, e eu pensava “uau, grande programa”. Nunca pensei estar lá e foi incrível mas, mais uma vez, não fico deslumbrada – fico feliz”.

 

4ª paragem: uma flor e um auto-retrato

 

Para o segundo capítulo da sua história discográfica, Luísa Sobral acentua a melancolia expressa em The Cherry On My Cake – com as colaborações de António Zambujo ou Jamie Cullum e com a produção de Mário Barreiros, em 2013, edita There’s A Flower In My Bedroom. “A ideia da flor é mais até porque o disco é um pouco mais triste – a ideia era haver uma tristeza mas haver também uma flor que trazia alguma esperança e alguma beleza a essa tristeza. Eu não estava triste mas foi um lado sentimental que explorei nessa fase; senti necessidade de explorar esse lado – não tanto de tristeza mas de nostalgia”.

A marca de Luísa Sobral, no entanto, foi espraiando-se em várias direcções: faz duetos com Alejandro Sanz e David Fonseca e compõe para outros artistas – em 2012, em Desfado, de Ana Moura, o disco português mais vendido da última década, assina “A Minha Estrela”. Para Luísa Sobral, escrever para outras vozes é “diferente: quando escrevo para mim não penso em nada a não ser, exactamente, naquilo que estou a fazer, na letra e na melodia. Quando escrevo para outra pessoa, quero imaginar a voz daquela pessoa a cantar, quero imaginar e perceber se aquilo se enquadra na personalidade do cantor para quem estou a escrever –quase canto, dentro da minha cabeça, com a voz daquela pessoa. Há coisas que digo que, se calhar, aquela pessoa, para quem estou a escrever, não diz. [Por isso] Tenho que tentar entrar na pele daquela pessoa. É diferente e é super prazeiroso. Gosto mesmo muito de escrever coisas que sei que vão ser cantadas por outra voz. Dá-me um gozo enorme”.

Mas, de lá para cá, muito mudou em Luísa Sobral: depois de Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa, o disco, de 2014, pensado nas crianças mas concretizado para ser ouvido por famílias inteiras, em conjunto, surge Luísa. Pelo meio, a grande metamorfose da sua vida: torna-se mãe. Provavelmente, terão sido todas estas premissas que acabaram por catapultar as transformações que se tornaram música no seu quarto álbum, editado em 2016, que, segundo a sua autora, “tem um lado muito mais feliz”.

Sem língua dos “Ps”, é este o segundo registo ao qual empresta o seu nome próprio. Desta feita, sem criar personagens ou encenar histórias alheias. “Este disco é um pouco mais autobiográfico, é o que sinto. Até aqui, acho que tinha tido mais medo de falar sobre as minhas histórias. Não sei exactamente porquê: talvez por achar que não era interessante suficiente, talvez por achar que não havia profundidade suficiente nas minhas emoções… O que não faz muito sentido porque percebi que todos temos esses vários níveis de emoção. Neste disco, já não tive muito medo de explorar os meus sentimentos, tive mais vontade – claro que digo “neste disco” mas, quando vou compondo não penso no disco específico. Só que foi uma fase da minha vida em que fui compondo e escrevia muito sobre mim – isso faz com que depois seja muito diferente cantar estas canções. [Como] Chegam mais do coração, o canal é mais rápido”.

 

5ª paragem: um Nobel da Literatura e um Mercury Prize

 

Por falar em velocidade, à semelhança do que aconteceu nos álbuns anteriores, a passagem pelo estúdio foi, no mínimo, veloz. Para a gravação de There’s A Flower In My Bedroom, por exemplo, oito dias de estúdio passaram apenas a três. Em Luísa, o fenómeno foi semelhante. “Acho que ainda [foi] mais [rápido]. Antes de gravar, ouvi muito o disco do Benjamin Clementine, do qual gosto muito. Ele tem várias coisas incríveis mas uma delas é a genuinidade quando canta: essa imperfeição perfeita. Aprendi muito com esse disco: às vezes, ele tem a voz com menos ar, às vezes tem uma ligeira desafinação e aquilo não me fazia confusão nenhuma, pelo contrário – fazia-me sentir ainda mais aquilo que ele estava a cantar. Sempre fui de manter os primeiros “takes”, mas, neste disco, ainda foi mais [assim]. Normalmente, gravo guitarra mas como, neste, não gravei, fiquei só concentrada em cantar. Estava na cabine onde tinha o meu microfone, ia ouvindo os outros músicos e ia cantando ao mesmo tempo que eles tocavam – para mim, parecia-me sempre tão real a voz naqueles takes que escolhíamos, o take de toda a gente…”. Por isso, o que se ouve em Luísa é a representação exacta da emoção do primeiro momento. “Não regravei vozes porque tudo aquilo que estava a cantar era o que tinha sentido quando eles estavam a tocar – tudo o que canto é uma reacção ao que estou a ouvir, ao que foi feito naquele momento. Se fosse tentar recriar isso, noutro momento, noutro estado de espírito, não ia ser fiel nem verdadeiro”. Para Luísa, hoje em dia, os discos são demasiado perfeitos – e era disso que queria escapar. “Acho que nós, como seres humanos imperfeitos, não sentimos tanto as coisas que são perfeitas, não nos ligamos a elas porque não são naturais para nós. Por isso, prefiro ser imperfeita e mostrar essa imperfeição – porque é mais sincero”.

Luísa, porém, reserva várias surpresas: a começar pela passagem para segundo plano da toada jazz que se tinha tornado a sua imagem de marca. Ela explica: “Quando comecei a compor estas canções, automaticamente, tinham um bocado esse som, mais folk – isso deve-se ao facto de ter ouvido muita música folk nos últimos tempos: ouvi muito Dylan, Tom Waits, Joni Mitchell. Claro que isso influenciou a minha maneira de escrever. Depois, fui gravar com músicos americanos, que têm muito neles esse som do folk… E dos blues também. Eles intensificaram esse som que as canções já tinham e trouxeram várias outras coisas – mas sim, foram levar a música muito para esse lado folk, blues e, ainda, um pouco de jazz”.

Para o seu quarto álbum, Luísa Sobral procurou, definitivamente, fazer algo distinto do seu passado. “Eu e o meu manager queríamos um produtor que tivesse um som bastante diferente do meu mas que achássemos que fosse um casamento feliz – o Joe tem esse som. Tem um som mais blues, um pouco mais cru ou agressivo mas pensámos que ia casar muito bem com o meu – porque eu tenho um outro som muito mais “soft”, muito mais melancólico. Acho que foi um casamento muito feliz porque ele veio trazer a guitarra eléctrica, veio trazer uma série de outras coisas que levaram a minha música para outro sítio, que fazia todo o sentido nesta fase da minha carreira”. O Joe a que Luísa se refere é Joe Henry, o produtor americano premiado com três prémios Grammy, com quem gravou o álbum no United Recording, o complexo de estúdios, em Los Angeles, por onde passaram, por exemplo, Frank Sinatra ou U2. “Foi a primeira vez que entreguei um projecto assim, desta maneira, a alguém”, recorda Luísa. “Estava um pouco preocupada: no fundo, confiei no Joe a 100% – ele é que escolheu os músicos, ele é que escolheu o estúdio, ele é que escolheu o engenheiro de som e eu, apenas, apareci. Isso, para mim, é dificílimo porque sou super controladora de todas as partes dos meus projectos, sei sempre tudo o que vai acontecer, quem é que vai tocar o quê… De repente, entregar assim uma coisa, foi um bocadinho stressante mas fez-me bem e adoro o resultado final”.

 

6ª paragem: a pasteleira francesa que gosta de cantar Romana

 

A música, para Luísa Sobral, é também veículo de diversão: por isso, gosta de brincar com as obras alheias. Pela sua voz, já passaram recriações de – pasmem-se! – Britney Spears ou Miley Cyrus. Ou ainda, de Romana. Ultimamente, porém, “não tenho feito muitas versões, tenho andado um bocado apagada nessa área. Tenho que começar a pensar nisso: tenho sempre uma versão nos meus concertos e, agora que estou a preparar o novo, tenho que pensar nisso. Mas eu adoro pegar em canções que são improváveis para mim e tentar transformá-las, dar-lhes o meu toque”.

Há outras surpresas, sempre constantes, em Luísa Sobral – como o idioma que escolhe para as suas canções, que tanto podem ser em português quanto em inglês, em francês ou em espanhol. “Nem me lembro porque é que escrevi uma canção em espanhol – acho que foi para um concerto em Espanha. Às vezes, faço isso: quando vou para um concerto num sítio especial quero oferecer uma coisa especial e acho que escrevi essa canção [“Cuantas Veces”] quando fomos tocar a Espanha”. Em Luísa, “a canção em francês [“Je T’Adore] é porque vivi uns meses em Paris. Escrevi esta canção e gosto muito da língua francesa – acho que é uma língua lindíssima para ser cantada”.

Só que os franceses têm artes que conquistam Luísa Sobral: como a sua pastelaria, por exemplo. Sim, Luísa já tirou um curso de pastelaria francesa mas a arte dos bolos, ultimamente, não tem estado tão presente quanto gostaria. “Desde que o meu filho nasceu, nem consigo cozinhar para mim. Bolos é um bocado… O que tento é perceber onde estão as receitas de coisas feitas em 10 minutos! Não tenho feito muitas coisas ultimamente mas acho que isto acontece com a maternidade. Cozinhar é uma coisa que me dá imenso gozo e, para a qual, não tenho tido muita cabeça mas vai voltar. Tenho a certeza que vai voltar: porque adoro fazer bolos e tenho que começar outra vez. Nem que seja para ganhar alguns quilinhos”, confessa, entre risos.

Em 2016, Luísa está feliz – mas essa felicidade já era evidente em 2013, quando tweeta que “felicidade é chamar trabalho ao que mais gostamos de fazer”. “Tenho uma sorte enorme: gosto do que faço e o que faço dá-me espaço para ser eu. A verdade é que nunca sinto que seja trabalho: adoro o que faço”. Para que não restem dúvidas: “Sou muito, muito feliz a fazer o que gosto”.

Ana Ventura Ana Teresa Ventura trabalhou na Blitz durante dez anos e hoje podemos vê-la tanto em festivais de verão cobertos pela SIC, como na sua rubrica, M de Música do programa Mais Mulher, na SIC Mulher.

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