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Primal Scream – Chaosmosis

Primal Scream – Chaosmosis 3.0
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Crítica

Primal Scream – Chaosmosis é mid-tempo e contido

Para o seu 11º álbum, os Primal Scream pediram emprestado o título da última obra do psicoterapeuta francês Felix Guattari. Ignorando a mensagem subliminar desta escolha, a verdade é que o título é uma espécie de prenúncio – e de sumário do que é o novo registo do colectivo de Bobby Gillespie.
É certo que, com uma carreira que se espraia por mais de três décadas, os Primal Scream nunca foram um exemplo de consistência: a cada novo disco, havia mudanças de velocidade, novas abordagens e géneros. Em Chaosmosis há tudo isto. Ao mesmo tempo. E, confesse-se, isso nem sempre é bom.
O início parece promissor, com o músculo electro de “Trippin’ On Your Love” ou “(Feeling Like) A Demon Again”. Porém, a sensação de estranho desconforto surge logo de seguida, com os sussurros açucarados de “I Can Change”, a bizarria folky de “Private Wars” ou a pop dos 80s de “100% or Nothing”. Com o genial Screamadelica nos 25 anos de existência, a esperança na verve dos Primal Scream surge em momentos pujantes como “Where The Lights Gets In” ou na ameaça de “When The Blackout Meets The Fallout” (a lembrar outro marco, Evil Heat). Quando se pensa em Primal Scream pensa-se em correr para a pista – seja ela qual for –, para dançar como um animal selvagem, porventura, a indumentária que melhor assenta a Bobby Gillespie. Porém, Gillespie parece desconfortavelmente domado.
Chaosmosis é mid-tempo e contido. Aos beats imponentes juntam-se atmosferas sedutoras mas a marcha é, infelizmente, lenta. Mantemos as expectativas de que, por aqui, surgirá algo devastadoramente brilhante, como Gilliespie & cia já mostraram ser capazes. Acreditamos que a juventude e frescura das convidadas (Sky Ferreira, as manas Haim e Rachel Zeffira) vai levar estas canções mais longe. Mas a verdade é que tudo permanece a meia escala. E, mesmo que “Where The Lights Get In”, o primeiro single, se venha a tornar a canção deste Verão, só o tempo dirá onde é que este álbum se vai “arrumar”. Ou se vai, simplesmente, ficar fadado ao esquecimento.

Ana Ventura Ana Teresa Ventura trabalhou na Blitz durante dez anos e hoje podemos vê-la tanto em festivais de verão cobertos pela SIC, como na sua rubrica, M de Música do programa Mais Mulher, na SIC Mulher.

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