Home Discos Iggy Pop – Post Pop Depression

Iggy Pop – Post Pop Depression

Iggy Pop – Post Pop Depression 4.0
0
Crítica

Há figuras/vozes/artes que não têm idade. Ou porque não as conseguimos imaginar a envelhecer ou porque parecem ter sempre transmitido uma imensa sensação de vida. Vivida ao limite. Se fosse necessário pensar numa antítese de Peter Pan musical – ou seja, aquele que nunca foi criança –, talvez todos as objectivas fossem apontadas para Iggy Pop. Figura de proa do punk e do garage com os Stooges, com experiências a solo desde as aventuras de Berlim e as produções de David Bowie da segunda metade dos 1970s, Iggy Pop (e as suas contorções físicas e vocais, o seu tom soturno, provocatório, visceral) não tem idade. Este Post Pop Depression também não.

Conta-se que foi Pop quem abordou Josh Homme (o homem forte dos Queens of the Stone Age). Conta-se, ainda, que Homme era fã assumido das colaborações de Pop com Bowie. Por isso, não é de espantar que seja para essa Berlim longínqua que o 17º álbum de Pop nos remeta. E, inevitavelmente, para Bowie (de alguma forma, omnipresente em momentos como “Gardenia” ou “American Valhalla”, por exemplo). Homme, no entanto, não surge sozinho e reuniu um impressionante clã à volta do seu cuidado trabalho de produção, aliando à sua guitarra a arte de Matt Helders (Arctic Monkeys) e Dean Fertita (dos seus QOTSA). Registado no estúdio de Homme no deserto da Califórnia, Post Pop Depression é árido ao mesmo tempo que repleto de ritmo, vai do funk às paisagens orientais, é rock dramático com instrumentais corpulentos mas também é spoken word.

Iggy Pop afirmou que este novo álbum é uma forma de olhar para o passado, tomando consciência do que será o seu legado. A resposta é simples: é poderio rock, cru, sem artefactos mas artesanal, inteligente e escorregadio. Como o seu autor, este é um disco sem idade. Nem tristeza. Sem depressão mas com uma imensa luxúria – pela vida.

Ana Ventura Ana Teresa Ventura trabalhou na Blitz durante dez anos e hoje podemos vê-la tanto em festivais de verão cobertos pela SIC, como na sua rubrica, M de Música do programa Mais Mulher, na SIC Mulher.

LEAVE YOUR COMMENT