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MEO Kalorama: profissão de fé

MEO Kalorama: profissão de fé
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Mais de 100 mil pessoas rumaram ao Parque da Bela Vista para se entregaram à edição 2026 do MEO Kalorama – e foi uma fartazana de música, dos clássicos de Lauryn Hill, Grace Jones ou Robbie Williams, à descarga imparável de Turnstile, Freddie Gibbs + The Alchemist ou Sam The Kid. As orações, no entanto, estariam reservadas para os Deftones, que protagonizaram uma verdadeira profissão de fé.

Pouco mais de um ano depois de uma visita ao Porto, os Deftones fecharam o MEO Kalorama com um desfilar de hinos que são, já, transversais a várias gerações – à semelhança do próprio festival, que brilhou com uma locomotiva chamada Turnstile, um crooner que responde por Robbie Williams e um (estranho) regresso de Ms Lauryn Hill a Portugal.

Ao longo de três dias, novamente com o Verão como pano de fundo, o MEO Kalorama invadiu o Parque da Bela Vista, em Lisboa, com uma mostra versátil e diversa de alguns dos melhores exemplos de criatividade musical desta segunda metade da terceira década deste século. Lado a lado e mano a mano, o público viu-se envolvido pela bizarria eterna de Grace Jones mas também pela doçura de Maro, pelo activismo de Peaches e pela revolta de Freddie Gibbs + The Alchemist, assim como a tomada de assalto de Sam The Kid, Peaches ou Turnstile. Olhemos, no entanto, para os três cabeças de cartaz.

Já todos sabem que “entretenimento” é o nome do meio de Robbie Williams – e o que ex-Take That fez no seu regresso a Portugal foi precisamente isso, entretenimento puro. É egocêntrico mas não pede desculpa por sê-lo, coloca o foco, a atenção e os holofotes naquilo que é mas também naquilo que faz: e o que Williams faz é interpretar os seus clássicos ao lado de hinos de, por exemplo, Frank Sinatra. E sim, tudo parece e faz sentido. O mesmo não se pode dizer do que se passou no dia seguinte, quando Ms Lauryn Hill subiu ao Palco MEO, acompanhada dos seus dois filhos e do seu parceiro nos Fugees, Wyclef Jean. A verdade é que, quem comprou bilhete para recordar esse incomparável álbum chamado The Miseducation of Lauryn Hill ficou, no mínimo, desiludido: com o foco nos 30 anos dos Fugees, de Lauryn Hill viu-se muito menos do que se esperava, de Lauryn Hill ouviu-se muito menos do que se ansiava – e momentos como “Hips Don’t Lie” (sem Shakira) e “Guantanamera” foram, para ser suave, bizarros.

Eles estavam na recta final da sua digressão e nós estávamos no último concerto do último dia do festival – mas a verdade é que não faltou energia (e magia, sim) nesta nova passagem dos Deftones por Portugal. A banda de Chino Moreno alcançou, já, aquela rara capacidade de apelar a várias gerações – e faz sentido. O que por aqui se entoa são orações de desespero e escuridão com as quais todos se conseguem identificar, embrulhadas em estruturas complexas, em compassos extravagantes e riffs memoráveis. E quando Moreno grita, todos gritamos!

Sarah Hawkk/MEO Kalorama

As datas para a edição 2027 do MEO Kalorama ainda não foram anunciadas.

Ana Ventura Ana Teresa Ventura trabalhou na Blitz durante dez anos e hoje podemos vê-la tanto em festivais de verão cobertos pela SIC, como na sua rubrica, M de Música do programa Mais Mulher, na SIC Mulher.

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