Ao longo de três dias, passaram pelo NOS Alive mais de 160 mil pessoas. O festival volta ao Passeio Marítimo de Algés nos dias 8, 9 e 10 de Julho de 2027.
Foi uma edição marcada por regressos – encabeçada, logo à partida, pela reunião dos Buraka Som Sistema, anunciados no derradeiro dia do NOS Alive 2025. A ansiedade era, portanto e como de esperar, elevada e quase palpável no derradeiro serão da edição 2026 do festival que chama casa ao Passeio Marítimo de Algés. Mas não seria a banda de “Ya” a única a regressar ao lugar onde já foi feliz: igualmente não estreantes mas a fazerem as delícias do público português estavam os Foo Fighters e Florence + The Machine. Mas já lá vamos.

Na noite inaugural do NOS Alive 2026, todos os olhos estavam apontados para Nick Cave e os seus Bad Seeds que, como habitualmente, trouxeram a palco um misto de música com cerimónia espiritual (ou será religiosa?), onde além das palavras entoadas em uníssono os toques de mãos e a troca de olhares assumem uma dimensão (lá está!) religiosa. Nick Cave não sabe dar maus concertos e, apesar de não ter havido, em Algés, a magia transcendental que outras passagens do australiano por Portugal já encenou, é impossível passar ao lado da fúria de “Red Right Hand” ou da doçura de “Into My Arms”.

Foi perante um NOS Alive esgotado que os Foo Fighters trouxeram a sua locomotiva rock – naquele que foi o mais longo concerto do festival (mais de duas horas e meia) e também o mais biográfico. De “Your Favorite Toy”, o mais recente registo do colectivo liderado por Dave Grohl, pouco ou nada há a registar, mas este foi um espectáculo onde se celebrou a vida e a sobrevivência de uma banda que nasceu após a morte de Kurt Cobain e que, afinal, soube reinventar-se após a morte de Taylor Hawkins. É caso para dizer, que os Foo Fighters estão bem – e recomendam-se.

Mais uma vez com casa cheia, apesar de todos os olhares estarem apontados para Florence Welsh e Buraka Som Sistema, foi a neo-zelandesa Lorde a rainha da noite. A cantora e compositora que tem crescido no olhar e escrutínio público, fez-se mulher de corpo inteiro – e, de passagem, tornou-se um verdadeiro animal de palco. Com encenação cuidada e equilíbrio perfeito entre confissões de uma mulher com (quase) 30 anos e canções que já se tornaram um hino, não foi apenas metaforicamente que Lorde ficou no meio do seu público: entregou-se de corpo e alma e terminou um espectáculo verdadeiramente memorável num mini-palco erecto na plateia. Quando se pensar em NOS Alive 2026, este será um dos momentos na proa do álbum de memórias.

O mesmo não se pode dizer do regresso de Florence + The Machine ao Passeio Marítimo de Algés. Foi um mau concerto? Não, mas também não passou pela entrega desbragada que Miss Welsh já fez no passado. O público, no entanto, aplaudiu e mostrou trazer na ponta da língua as fábulas criadas pela fada tornada artista que dá a cara e o corpo pela banda. O público aplaudiu Florence + The Machine e não arredou pé apesar da hora: fazia sentido. Há 10 anos que todos esperavam por este momento e o colectivo de Branko, Riot, Kalaf, Conductor e Blaya não defraudou as expectativas. Verdadeiro abraço onde se matam as saudades e se agitam os corpos, o que os Buraka Som Sistema trouxeram ao NOS Alive foi uma evocação da música que levaram aos quatro cantos do mundo e que os tornou a mais bem sucedida banda portuguesa em termos internacionais, capaz de levar ao mainstream os ritmos que misturam o cheiro de África com as paisagens nacionais e a peneira da electrónica. Tínhamos todos saudades deste encontro e só resta esperar que não sejam precisos mais 10 anos para o repetir.
O NOS Alive vai regressar ao Passeio Marítimo de Algés de 8 a 10 de Julho de 2027.