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M de Música @ Super Bock Em Stock: dia 2

M de Música @ Super Bock Em Stock: dia 2
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A última noite do último festival do ano foi marcada pela emoção – mas também por várias surpresas.

Não havia quaisquer dúvidas que, no derradeiro serão da edição 2019 do Super Bock Em Stock, todas as atenções estavam viradas para a passagem de Slow J pela Sala Super Bock, ou seja, pelo Coliseu dos Recreios. Não era caso para menos – de surpresa, em Setembro, o compositor e produtor de Setúbal tinha lançado ao mundo o seu segundo álbum, You Are Forgiven, o resultado de uma longa travessia em silêncio, onde (porventura em reacção à escalada de sucesso alcançada com The Art of Slowing Down) se recolheu, viveu e analisou essa vida. O resultado revelou-se um disco com tanto de emoção quanto de confissão, com tanto de Portugal quanto de mundo, com tanto de hip hop quanto de fado, África ou tudo o que resto que se coloque no meio.

As canções de You Are Forgiven ainda não tinham ganho corpo ao vivo até ao passado sábado quando, à semelhança do que acontece no disco, Slow J arranca com “Também Sonhar” (provavelmente, um dos mais belos hinos recentes da história da música portuguesa, tornado sublime com a voz de Sara Tavares). Estava, assim, dado o mote para um espectáculo feito de emoção, com (lá está) muitos sorrisos, coros imensos mas também uma surpresa – ao invés do que acontecera até agora, Slow J apresentou-se a só, sem banda, sem qualquer instrumento (excepção feita à passagem por “Lágrimas”, onde a sua voz foi abraçada pelo dedilhar das guitarras – portuguesa incluída). À totalidade das canções de You Are Forgiven, houve espaço, ainda, para as recordações de The Free Food Tape ou The Art of Slowing Down mas também para colaborações como “Water”, onde J visitou a obra de Richie Campbell. O concerto havia de acabar como o disco, com “Silêncio”, uma pausa antes da apoteose de “Cristalina” e a dança frenética de “Vida Boa”. À saída, o constante sorriso de Slow J ao longo da noite tinha contagiado os sorrisos de todos os que viveram um instante que, sem margem para dúvidas, foi o expoente máximo do festival.

Mas, antes, houve outras surpresas no segundo dia de Super Bock Em Stock, da delicadeza de Tainá (que tornou ainda mais mágica a Casa do Alentejo), à electrónica romântica de Ady Suleiman (perante um Teatro Tivoli BBVA cheio), sem esquecer a alma gospel, r&b e bluesy de Curtis Harding (também no Coliseu). No entanto, esta foi a noite de Rei J, uma coroa mais do que merecida num universo onde os nomes portugueses teimam em liderar os cartazes dos maiores festivais. Não houve concorrência. Ponto final e até para o ano.

Foto: Super Bock Em Stock

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