Home Entrevista Samuel Úria: “Poder viver disto? Não mereço”.

Samuel Úria: “Poder viver disto? Não mereço”.

Samuel Úria: “Poder viver disto? Não mereço”.
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Tondelense de nascimento mas lisboeta por empréstimo, é um dos grandes compositores da música portuguesa actual. Até Prince concordava.

 

A páginas tantas, em Carga de Ombro, descreve-se como “aperaltado alternativo” mas Samuel Úria tem muito mais dimensões: compositor brilhante, manuseia o português como poucos fazem (ou fizeram). As suas palavras, muitas vezes, podem parecer jogos de sudoku mas é isso que o torna distinto. Isso e a sua desarmante humildade – de pés assentes na terra, não toma nada como garantido e considera-se um privilegiado. Ouse-se discordar: privilegiados são aqueles que se embrenham na sua obra.

 

Quando se escuta, com atenção, as canções de Samuel Úria, há vários vultos imponentes da cultura portuguesa a atiçarem a memória: a mestria de Sérgio Godinho, o lado veloz de Fausto Bordalo Pinheiro, o embalo de Jorge Palma. Mas, depois, sentem-se as melodias e percebe-se que o Portugal que Samuel Úria carrega nas suas canções vai muito além do país mais ocidental do continente europeu: mergulha-se nos blues mas nada-se nas águas emblemáticas do gospel; é folk em estado puro, simples, aguçado e de pontaria certa. Quer se fale dos momentos aos quais dá voz ou aos muitos hinos que compôs para outros nomes, que, de certa forma, têm vindo a fazer com que se mantenha sempre no olhar público. Mesmo que Carga de Ombro, o álbum que editou em 2016, seja (apenas) o seu terceiro em nome próprio – em perto de duas décadas de carreira.

 

Era uma vez um menino chamado Samuel, que cresceu em Tondela. Adolescente nos anos 1990, como não poderia deixar de ser, descobre a paixão da música com as maiores odes que essa geração viu despontar: os Nirvana. “Tinha 12 anos quando saiu o Nevermind – quando és pré-adolescente, mesmo ali a cair na adolescência, e sai um disco que é uma espécie de colectânea de hinos, um “hinário” de adolescência, é impossível uma pessoa ficar indiferente… Ainda por cima, o Kurt Cobain mata-se quando eu tinha 14 [anos]…  Há ali toda uma história que impossibilitou que os Nirvana me escapassem, que eu ficasse incólume à passagem dos Nirvana. É uma banda que não oiço com muita frequência mas, quando oiço, gosto e ainda sei as canções”. Na altura, Samuel estava a aprender a tocar guitarra. Como tal, “as primeiras canções que aprendi eram as dos Nirvana. É uma banda marcante”. Ao ouvir o Samuel Úria do século XXI, o autor, essa “marca” pode não ser evidente. Ele discorda. “Há malta que me conhece desde essa altura, que ouve as minhas canções e diz “isto faz lembrar não sei o quê dos Nirvana, eu sei onde é que já ouvi isto”. Os Nirvana eram uma das poucas bandas de rock que usava muito as segundas vozes – eu uso muito a cena dos coros, é uma coisa omnipresente nas minhas canções. Muitas vezes, vou a essas segundas vozes “dave-grohlicas”, aponto para elas, e aquilo, não parecendo Nirvana, tem um lado Nirvana presente”.

Com a cartilha rock na bagagem, Samuel cresce e muda-se da sua Tondela-natal para a Lisboa-capital. Tondela, porém, nunca saiu de Samuel. “Considero-me um eterno tondelense e isso também funciona, para já, enquanto narrativa – sobretudo porque as pessoas, em Lisboa, não fazem a mínima ideia de onde é que é Tondela – agora, com o futebol, ajuda” [O CD Tondela está na 1ª Liga do Campeonato português desde a época 2015/16]. A narrativa que Samuel refere traduz-se na forma como ele próprio ironiza com as suas origens. “Dá para exacerbar um bocado aquele lado de gajo que veio do campo e que, de repente, está a fazer coisas giras aqui na capital, “ah, coitadinho, tem muito jeito apesar do seu upbringing campónio””. Ao fim de tantos anos com morada em Lisboa, no entanto, é lisboeta – não sendo. “Sou um lisboeta por empréstimo: apesar de adorar Lisboa e sentir-me lisboeta (acho que Lisboa devia ser a capital do mundo), não é a minha casa de afeição, de sempre – mas é uma casa de que gosto muito, Lisboa”.

Atendendo a tudo o que aconteceu desde então, podia pensar-se que a alteração de morada se tinha dado por Samuel perseguir uma carreira na música – errado. “Vim para Lisboa para dar aulas mas, na altura, já fazia música. Quando cheguei, abriram-se logo as portas: em Lisboa, de facto, é muito mais fácil fazer música, ter uma prática mais constante. Quem tiver aspirações para viver da música, é mais fácil se estiver em Lisboa porque está mais próximo de músicos, de salas de concertos”. Pode ter chamado a um dos seus álbuns O Grande Medo do Pequeno Mundo mas o título não era uma metáfora à adaptação a esta nova vida. “Não achei Lisboa propriamente assustador porque, antes de viver em Lisboa, já era uma cidade que tratava por tu; por outro lado, descobri que, em Lisboa, há muito menos tempo, o tempo em Lisboa é muito mais curto – não é o mundo que é mais pequeno, não é o medo que é maior, o tempo é que é mais curto em Lisboa. Sinto falta de tempo e Lisboa não perdoa”.

Com um grupo de amigos, reunidos na cave de uma igreja, eis senão quando o nome “Samuel Úria” começa a repetir-se no meio musical lisboeta: tudo devido ao colectivo Flor Caveira, apresentado na sua página de bandcamp como “Religião e Panque Roque desde 1999”. “É difícil dizer como é que nasce a Flor Caveira porque, de facto, nasce de uma espécie de brincadeira, de malta a armar-se em coisas que não éramos”, arranca Samuel. “Nasce de um manifesto – o manifesto de defesa da música nacional – mas nasce, sobretudo, como uma página de internet, em que fazíamos crítica musical, púnhamos bandas desenhadas”. Este “nós” que vai citando inclui Tiago Guillul, por exemplo. “Como era malta que também tinha bandas e que ia fazendo música (sobretudo, malta de Queluz – eu era, lá está, o rato do campo e eles eram os ratos da cidade), começámos a meter o símbolo da Flor Caveira nos nossos discos, o selo da Flor Caveira”. De colectivo de amigos, a Flor Caveira torna-se editora. “A partir de uma determinada altura, começámos a numerar os discos: FC001, etc. Isso fez com que a Flor Caveira se tornasse, acima de tudo, uma editora. Com a curiosidade de sermos todos amigos, de termos todos algum tipo de ligação à Igreja Baptista, de ensaiarmos na cave da igreja, e depois andarmos a partir a cave da igreja em concertos punk, hardcore mesmo, com bandas hardcore, com gente a sair lesionada”. Estavam lançados os dados para o olhar generalizado. “Isso começou a gerar algum interesse da imprensa. [Apesar de serem brincadeiras] – que eram seríssimas na maneira como se apresentavam mas que não deixavam de ser uma brincadeira – houve malta que começou a levar-nos a sério e a ter alguma atenção aquilo que era feito”. O FC001 é Fados para o Apocalipse Contra a Babilónia, de Tiago Guillul, de 2002. Em nome próprio ou com os companheiros da aventura tornada etiqueta, Samuel desdobra-se em experiências, de Velhas Glórias a Os Ninivitas (cujo álbum foi ensaiado e gravado em, apenas, um fim de semana, já em 2004) . “Com o peso dessa responsabilidade, também comecei a fazer música, não diria mais a sério – na parte de escrita de canções não há um lado de seriedade que, de repente, se apoderou de mim –, mas pelo menos, a necessidade de produzir e até a responsabilidade de produzir, essa, de facto, “agora” existia”. Em 2003, o FC005 assinalava, então, a edição do primeiro álbum de Samuel Úria – O Caminho Ferroviário Estreito.

 

Fast-forward até 2013 e Samuel Úria publica o seu segundo longa-duração, O Grande Medo do Pequeno Mundo. Novo fast-forward até 2016, para a exposição do álbum #3, Carga de Ombro. Parece que Samuel Úria não é prolífero compositor? Mais um conceito errado: a sua pena nunca abandonou o olhar do grande público, quer com outras edições – Em Bruto, Nem Lhe Tocava ou A Descondecoração – quer com colaborações como as que fez com HMB, Clã, Kátia Guerreiro ou Márcia. “São dois tipos de liberdade e de libertação. Em nome próprio, posso fazer aquilo que me apetece e assumir as responsabilidades das coisas – e isso, só por si, nesta definição, é libertador. Quando escrevo para outros, é uma espécie de libertação porque posso sair dessa escravatura de ser livre, dessa escravatura de estar a impregnar as canções das minhas falhas e dos meus erros”. Nem sempre a voz que Samuel ouve na sua cabeça é a mesma que os seus ouvidos escutam. “Poder escrever com a voz de outra pessoa na cabeça é libertador porque, muitas vezes, quando escrevo para mim, é uma desilusão…  De facto, na minha cabeça, não está propriamente a minha voz, está a voz de muitas pessoas que eu ouvi e que têm características vocais completamente distintas”. Compor para outros projectos traz ainda outro atractivo: “É muito fixe porque, além do cuidado estético e do cuidado narrativo que tenho que ter quando estou a escrever para outros nichos e para outras identidades e outras vozes musicais, também há esse lado lúdico de projectar aquilo que é muito identitário e aquilo que as pessoas reconhecem como características de Samuel Úria enquanto autor e, por outro lado, estar a complementar as características do intérprete para quem a coisa foi escrita. Ter essa barafunda de coisas na cabeça, apesar de parecer o contrário, é um processo que, às vezes, torna mais simples a minha maneira de escrever canções: porque tenho um objectivo, tenho uma directriz, não tenho que ser absurdamente original com o meu nome, posso ser original mas a pensar numa coisa que tem origem na voz de outras pessoas”.

Contrariando a ideia romântica de que um autor está em constante processo criativo, Samuel Úria só compõe quando, efectivamente, há uma razão para fazê-lo. As canções dos seus álbuns, por exemplo, foram apenas escritas quando chegou o momento de preparar cada um desses capítulos. “De facto, faço só canções quando está na altura de haver um disco. Sei que isso uma coisa muito prática e profissional, na maneira de pensar e de planear a produção musical, mas, para todos os efeitos, apesar de não estar constantemente a fazer música, o processo musical não acontece só na altura em que estou em frente ao papel, disposto a fazer 11, 12, 13 canções”. Entre em cena, então, “a minha vivência do dia a dia, tudo aquilo que leio, tudo aquilo que oiço, tudo aquilo que penso”, que se acumula de uma forma que “desagua na altura em que as canções têm que aparecer – porque já não cabe cá dentro. Até o simples facto de eu saber que não tenho que estar sempre a fazer canções, que não preciso, que não quero e que não posso, vai facilitar a que as coisas se acumulem e que, às vezes, se tornem quase tortuosas – mas também porque existe uma altura para a torneira ser aberta. Nessa altura, já existe um filtro e já existe um propósito e esse material acumulado não vai desaguar sem critério”. Antes que alguém levante o dedo e o acuse de preguiçoso, que diga que tudo isto são desculpas de alguém que “gosta de passar os dias a ler, a ouvir música, a escrever e a ver filmes, sem necessidade de estar a praticar o âmago da sua profissão, que é escrever canções”, Samuel apresenta o mais imbatível dos argumentos: “não estou incólume nem demasiado impermeável às influências, aos temas, aos assuntos e às inspirações, lá está a essas musas – [até] porque a memória vai permitir que as coisas se acumulem e que saiam na altura própria”.

O facto de, cada disco, ser pensado enquanto objecto uno traz também uma coerência que, muitas vezes, escapa aos ouvintes menos atentos. Não é, ainda assim, algo que tire o sono ao seu autor. “Costumo dizer que tenho praticamente a certeza que as pessoas que ouvem – até as pessoas que se interessam e que gostam – não têm sempre noção (ou não têm necessidade de ter noção) daquilo que é o conceito dos discos, aquilo que se torna comum às canções de um determinado disco, que torna a que as canções não sejam coisas avulso e sejam um álbum. Mas, para mim, é muito importante que isso lá esteja: isso facilita a escrita de canções – existe um propósito, existe uma temática, existe um presente que sei que vai acontecer não só numa canção mas noutras e vai ajudar a que umas canções iniciem as outras. É um processo muito autista, no sentido em que, para mim, tem que fazer sentido, tem que acontecer dessa maneira, tem que haver essa cola, tem que haver esse assunto, tem que haver esse ponto comum, independentemente de as pessoas o reconhecerem ou não”. Uma coisa é certa: é impossível não pressentir a honestidade destas canções. “Tenho tido a felicidade, não só de algumas pessoas terem, de facto, esse interesse em reconhecer como, por outro lado, não o reconhecendo, percebem – por muito que não o identifiquem – que existe um ponto comum e não se interessam em identificá-lo porque sabem que existe sinceridade na maneira como as coisas são expostas e na maneira como as coisas são expressas. Existe um reconhecimento de expressividade, mais do que a identificação daquilo que está a ser expresso – já fico muito contente que exista esse reconhecimento da sinceridade que ponho nas coisas”.

Nem tudo, no entanto, é um mar de rosas no horizonte de Samuel Úria. Aliás, ele é o primeiro a enumerar os seus próprios defeitos – para que não restem dúvidas, o “aperaltado alternativo” de quem fala em “Dou-me Corda”, o single que abriu caminho a Carga de Ombro, é, nada mais nada menos, do que ele mesmo. “É um defeito mas é um bocado uma farda, sobretudo da malta que nasceu na mesma altura que eu ou que começou a fazer música na altura em que eu comecei a fazer. É uma tendência à qual já muitas vezes me entreguei e à qual já deitei os braços abaixo e me deixei ser invadido por ela: é geracional e está cá dentro – tens que ser alternativo, a tua palavra tem que ser sempre estranha, se fizeres alguma coisa que o público em geral não desconfie, não estás a cumprir o teu papel. Muitas vezes, conscientemente e programaticamente e estilisticamente, forço-me a combater esse defeito. Para mim, é uma tendência escrever canções desafiantes; por outro lado, às vezes, tenho que fazer melodias que eu saiba que a minha mãe vai gostar de ouvir, que os meus tios vão bater o pé quando estão a ouvi-las. É a rebeldia de não ser rebelde sempre”.

Ainda assim, há muitos desafios nas entrelinhas da obras de Samuel Úria: do uso de um saca-rolhas como instrumento de percussão aos vários jogos linguísticos que vai exercitando, como se de verdadeiras palavras-cruzadas se tratassem. Para Samuel, no entanto, há uma comparação melhor. “Descobri isto uma vez, quando estava a fazer uma canção com a Márcia e ela me disse para eu escrever uma frase que quisesse dizer “isto”, que tivesse significado, que fosse ao encontro da letra que eu já tinha feito mas que acabasse “nesta” palavra… Aquilo era mais sudoku do que palavras cruzadas: tinha que fazer sentido, tinha que bater certo, tinha que ter as sílabas certas, a temática tinha que ter correspondência com o que vinha de trás mas tinha que acabar numa determinada palavra – era uma espécie de sudoku”. Ao fim todos estes anos de caneta na mão e viola em riste, há algo que nunca abandonou Samuel: “nunca perdi o lado lúdico da escrita”.

 

Na verdade, a perspectiva de Samuel Úria em relação à música, ao sucesso e à exposição mediática é (quase) desconcertante. A ponto de chegar a afirmar que a sua profissão é… inútil. “É uma péssima promoção daquilo que faço. Não diria que é inútil no sentido… Acho que a minha profissão pode tornar muito melhor a vida de algumas pessoas mas não são bens de primeira necessidade – aquelas pessoas que dizem que não conseguem viver sem música: não, tu consegues viver sem música! É uma profissão inútil para a sobrevivência mas é útil e indispensável à vivência: no sentido quase poético, existencial, filosófico, é impossível viver sem música. Mas acho que essa compartimentação de dizermos que isto que fazemos não serve para nada ajuda quando as coisas, de repente, nos atropelam e nos tocam de uma maneira muito significativa. Com essa narrativa de “não servir para nada”, pelo contraste, começam a surgir contemplações… “Isto não serve para nada mas é muito importante”, “eu não consigo mesmo passar sem isto neste momento”. Numa questão de contraste, gosto de entrar por esse caminho, até para surpreender as pessoas, com “tomem lá este maná sem o qual, agora, vocês não conseguiam passar, esta droga””.

Samuel Úria é, antes de mais nada, um homem que não se deixa deslumbrar – mas que se sente abençoado com os privilégios que a vida lhe tem dado. “Tive a felicidade – que é uma infelicidade mas que é, de facto, uma felicidade – de ter começado a fazer música profissionalmente num tempo de vacas magras para os músicos. Hoje em dia, ninguém vende discos, a competitividade é muito mais forte. Porque é que eu digo que é uma felicidade? Como eu não conheci essa realidade de abundância anterior, não consigo ter outro discurso que não seja um discurso de gratidão para com as coisas que me acontecem na música. Poder viver disto? De uma profissão que desponta de mim o lado mais lúdico e o lado mais prazeiroso, que é fazer canções… E, ainda por cima, ter o reconhecimento do público? Quando é pouco, é espectacular. Quando é muito, então, é… Não mereço”.  O seu sorriso é fácil e tão contagiante quanto as suas canções. “Pode parecer que sou um pateta, até podem dizer que é quase o meu espírito campónio e saloio, das minhas raízes de uma cidade beirã do interior mas, de facto, eu sou um gajo patetinha alegre na maneira como encaro aquilo que são os frutos da música: o pouco e o muito que o público me dá e que as pessoas me dão”.

Chamou Carga de Ombro ao seu terceiro álbum mas foi com uma canção de um outro disco que se sentiu “em ombros”: em Moura, que Ana Moura editou no final de 2015, Samuel Úria assinou “Cantiga de Abrigo” – canção elogiada por Prince, com quem a fadista mantinha uma relação próxima. “É impossível digerir isso: a sério, quando a Ana me disse, fiquei mesmo sem conseguir falar, sem conseguir responder. Não foi o facto de ele ter gostado – foi o simples facto de ele ter ouvido. Passei-me. Nunca na vida esperei… Para estas vitórias – e isto, de repente, é uma grande vitória –, ajuda quando a pessoa faz música sem grandes expectativas. A música, para mim, não é um poço de expectativas, não faço música para o reconhecimento. Faço porque gosto muito de fazer canções”. É este o grande mundo de Samuel Úria: carregado sem qualquer medo.

Ana Ventura Ana Teresa Ventura trabalhou na Blitz durante dez anos e hoje podemos vê-la tanto em festivais de verão cobertos pela SIC, como na sua rubrica, M de Música do programa Mais Mulher, na SIC Mulher.

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